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| O carnaval carioca
começou nas ruas e alí desenvolveu-se, trouxe gêneros
e modalidades que serviram de modelo para todo o mundo, as escolas de samba
tornaram-se fenômeno consolidado; o carnaval de rua, do prestígio
de décadas seguidas à extinção, veio sofrendo
mudanças que marcam desde as sucessivas crises econômicas
e sociais aos personalismos administrativos das ambições
políticas individuais.
Numa atitude de "escape", em desagravo satírico, invocando as tradições populares, liderada por Albino Pinheiro, Leila Diniz, Jaguar, Ferdi e outros irreverentes, a classe média carioca vem "desafogar o arrôcho" no pleno do carnaval, pelas ruas de Ipanema, em resposta à ditadura militar dos anos 60, que havia sufocado então todas as manifestações populares, preservando apenas o futebol e as escolas de samba, que viriam compor seus fatores hegemônicos. Esta é a história da Banda de Ipanema, que se tornaria a madrinha de tantas bandas que passaram a surgir desde então, preenchendo o vazio das ruas do Rio de Janeiro, dos entrudos aos corsos, palco de tantas glórias carnavalescas. Com a queda de poder aquisitivo, processo
de sua proletarização, a baixa classe média carioca
passa a consumir a cultura popular, "de raiz", mais barata, para suprir
o lazer da sua vida; volta à cena invocando a tradição
carnavalesca, a partir da "abertura", pós-governo militar, nos anos
80 e 90, tomando o lugar da manifestação espontânea
das comunidades culturais populares, muitas vezes proibidas de virem às
ruas "bater tamanco" com os seus famosos blocos de sujo, formando inúmeros
blocos carnavalescos, adotando, na maioria dos casos, formas de organização
similar a das escolas, com escolha de samba enredo, vendas de camisetas
(com o valor de ingresso), gravação de disco e outras formas
de comercialização da folia.
Sem pretensões definidas, atendendo únicamente aos programas administrativos governamentais, os "bailes populares", pontuam, com sua presença aleatória, a ausência de tradição e de ressonância cultural, alternando em sua programação, da animação de auditório, com premiações e sorteio, a apresentações artísticas de formas, conteúdos e qualidade indiscriminados e, principalmente, à reprodução sonora amplificada dos sucessos da indústria fonográfica. |
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