"Nada promove mais um país do que sua música popular."

Foi o que em certa ocasião me disse Haroldo Barbosa enquanto pescávamos na bahia de Guanabara.

Trinta enchovetas depois acrescentou: "- Já imaginou os Estados Unidos sem o jazz?"

Achei que tinha razão. Muitos anos atrás, adolescente, namorava dançando cheek to cheek ao som de Moonlight Serenade de Glenn Miller, ou Dancing in The Dark com Artie Shaw. Época romântica do swing que juntava o corpo dos namorados, ao contrário dos ataques aeróbicos que os separam hoje em dia nas pistas de dança. Enquanto isso , a segunda guerra mundial, nada romântica, confrontava a Itália, meu país, com os Estados Unidos.
Ou seja, quase um drama de consciência para mim, não fosse Mussolini enfraquecendo meu patriotismo. Longe dos campos de batalha, na pacífica Montevidéo, onde me criei, e mais tarde, em Buenos Aires, onde decolei profissionalmente, continuei curtindo o jazz que junto com samba e o tango, continuam sendo o play-back dos meus desenhos.

Mais tarde no Rio de Janeiro, o que naquelas cidades foram melodias com que Tommy Dorsey, Benny Goodman, Artie Shaw, Glenn Miller, embalavam meus namoros, o encontro com Sérgio Porto, o grande e inesquecível Stanislaw Ponte Preta, autor de uma jóia, a Pequena História do Jazz, deu início a um conhecimento mais amplo e detalhado dessa música.

Foi assim que passei a reverenciar seus ídolos, a diferenciar suas etapas através do tempo (blues, soul, swing, be-bop, west-coast, até o fantástico free-jazz da atualidade).

 De Jerry Roll Morton, King Oliver, Louis Armstrong, Jack Teagarden, passando por Coleman Hawkins, Miles Davis, Charlie Parker e tantos outros cobras, até Quincy Jones e os Marsalis para terminar, numa lista de grandes instrumentistas, regentes, compositores e arranjadores, onde todo mundo tem seus preferidos, mesmo amando todos eles, confesso, é Duke Ellington que não sairá nunca do meu aparelho de som.