... em produção carioca, com profissionais e adaptação própria.

A linguagem é extremamente realista, calcada no espaço cênico - as celas onde de fato ocorreram prisões e torturas durante a ditadura militar.

 Os espectadores são recebidos no hall de entrada do prédio da Rua da Relação por representantes da repressão (atores). Ali fazem fila, são fichados e deixam as impressões digitais. A partir daí serão tratados como prisioneiros, em um processo itinerante de representação, percorrendo as dependências internas do prédio até os cárceres do terceiro andar.

No início do espetáculo, subindo as escadarias de mármore que levam ao terceiro andar, o público ouve sobre o passado do prédio. Pelos mesmos degraus subiram Graciliano Ramos, Luís Carlos Prestes, Nise da Silveira, Getúlio Vargas... Em seguida, nos cárceres, é jogado em 1969, na fase mais dura do regime militar. Durante uma hora participará das angústias, horrores e esperanças dos que sofriam nos "porões da ditadura".
Apesar da proximidade com os atores (são trancados com eles nas celas), o público não é levado a interagir. Mantêm-se espectador. Não há cenas de tortura explícita.

A peça tem a duração de uma hora,
sem intervalo. 

Todo o prédio do antigo DOPS  faz parte do espetáculo. Foi respeitada sua condição atual, com o propósito de preservar o ambiente - principalmente as celas - com todas as lembranças que suas paredes carregam.



 

 


O projeto de iluminação de Eduardo Salino  reconstrói o ambiente da prisão de forma realista, usando a luz como elemento, reforçando no espectador a sensação de estar dentro da situação. Refletores foram colocados no saguão, nos corredores e na parte externa do prédio, porém nas celas optou-se por aumentar ou diminuir a intensidade da luz já existente.
Os objetos cenográficos e os figurinos são todos de época (década de sessenta). A trilha sonora é composta de anúncios oficiais,  que fornecem ao espectador a localização temporal e o momento histórico.
No final do espetáculo o público "tem a prisão relaxada" e é "liberado".

 
 
LEMBRAR É RESISTIR é uma colagem de situações vividas por presos políticos, baseada em depoimentos das vítimas do arbítrio. 
Não se trata de um documentário. É antes um desabafo poético calcado em fatos infelizmente reais.

 
 
 
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