O curto período do governo Jânio Quadros, terminando com sua renúncia em 25 de agosto de 1961, iniciou o processo de crise institucional que levaria ao golpe militar três anos depois. Seu sucessor natural, o vice-presidente, João Goulart, vinculado ao nacionalismo de Getúlio Vargas e considerado radical pela alta hierarquia das Forças Armadas, teve seu nome impugnado pelos três ministros militares. 
Reações enérgicas contra esse veto partiram de todo o Brasil, incluindo ameaças de uma guerra civil, e os militares tiveram de ceder.
Nos três anos que se seguiram as lutas populares se intensificaram e, com uma maior capacidade de organização e mobilização, através de sindicatos e ligas camponesas,  conquistaram vitórias significativas.
Estudantes, políticos, artistas e numerosos setores da classe média urbana aderiram às lutas nacionalistas.
Altas patentes militares e demais elites conservadoras, apoiadas pelos representantes dos interesses norte-americanos no país, começaram a articular um golpe de Estado. Enquanto os auxílios monetários ao Brasil eram cortados, dos EUA vinham cada vez mais verbas para propaganda antigovernamental, baseada principalmente numa suposta ameaça comunista. Seus principais veículos foram o Partido Social Democrático (PSD), a União Democrática Nacional (UDN), a Igreja Católica, e a grande  imprensa em geral.
Em 1 de abril de 1964 os militares destituíram João Goulart da presidência.
A partir daí foram arquivadas as propostas nacionalistas e implantado um modelo econômico centrado na concentração de renda e na desnacionalização da economia.
Para a aplicação desse novo modelo foi necessário alterar a estrutura jurídica do país, e aumentar o aparato da repressão, criando um Estado cada vez mais forte, com total liberdade para reprimir as reivindicações populares.
Nos anos que se seguiram a ditadura militar foi tomando corpo e endurecendo seus mecanismos repressivos, instituindo a censura, cassando mandatos parlamentares, fechando o congresso, desenvolvendo "órgãos se segurança" e uma série de outros arbítrios. Os "descontentes" com o regime foram perseguidos, presos e torturados.
Em agosto de 1969, ocorre o afastamento do general Costa de Silva da presidência, vítima de um suposto derrame cerebral, e é substituído pelos três ministros militares.
No mesmo período, a resistência armada seqüestra o embaixador americano no Rio de Janeiro, exigindo em troca a libertação de presos políticos.
Um desses "órgãos de segurança" chamava-se DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e funcionava no prédio da rua da Relação 40, no Rio de Janeiro. Ali, nos cárceres do terceiro andar, era feita a triagem dos presos, incluindo os interrogatórios mediante tortura.
A peça LEMBRAR É RESISTIR retrata o que se passou no mês de agosto do ano de 1969, nesses mesmos cárceres.

 
 






 
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