A idéia inicial de se montar LEMBRAR É RESISTIR no Rio de Janeiro partiu do ator e diretor Nelson Xavier, após assistir ao espetáculo em São Paulo, em 1999. Um dos fatos que o marcou então foi a maneira como a peça era recebida pelos jovens. 

Para as gerações atuais o período do regime militar, principalmente a década de sessenta, já se tornou "história do Brasil", faz parte do currículo escolar, mas por ser recente e envolver personagens ainda vivos é geralmente pouco aprofundado. Parece haver, no entanto, uma grande curiosidade por parte dos jovens sobre o assunto.


Espanta-os e atrai saber sobre as lutas travadas, pela geração que tinha a idade deles naquela época, por causas como democracia, fim da censura, justiça social, liberdade de expressão, direitos humanos... Custam a acreditar o que essas conquistas, que hoje fazem parte de seu dia a dia, significaram em termos de sacrifício pessoal, revolta, coragem e dor.
No pouco tempo em que a peça está em cartaz já se confirmou o interesse dos jovens pelo tema. 
Dos trinta espectadores a cada apresentação, a metade pelo menos situa-se na faixa entre 17 e 21 anos.
 Isso motivou o grupo a pensar em levar o espetáculo para as escolas, o que já começa a ser agendado. Perderia-se o realismo do cenário, mas aumentaria consideravelmente o número de espectadores. Essas apresentações seriam seguidas de debates.

O resgate dessas memórias veio nortear, portanto, a montagem carioca.
Além desse caráter "paradidático", LEMBRAR É RESISTIR tem o objetivo de homenagear os brasileiros que foram presos, e em alguns casos deram a vida, por acreditar na democracia e na  justiça social.  E reverenciar também escritores, pessoas de teatro, poetas, jornalistas e artistas em geral, que conseguiram, apesar da repressão, denunciar o horror.

A intenção foi trazer essa fase tão triste e obscura da nossa história para os dias de hoje. Acreditamos que preservar a memória é uma tarefa crucial, para que o sofrimento dos responsáveis pela liberdade que herdamos não tenha sido em vão


 
 

"Para os que ignoram porque são jovens, e a história oficial não conta, e para os que lembram  porque sofreram, mas continuam acreditando numa sociedade justa e livre."

 
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