NELSON XAVIER - homem de teatro, cinema e televisão.

 Para o grande público o rosto de Nelson Xavier é muito familiar, através de uma forte presença em papéis marcantes como Lampião, na mini-série global Lampião e Maria Bonita (1982) ou Pedro Arcanjo, de Tenda dos Milagres (1985) e várias novelas para a Globo. No cinema, entretanto, seu nome vincula-se diretamente aos primeiros anos do Cinema Novo, em especial Os Fuzis, de Ruy Guerra.

Paulistano nascido em 1941, Nelson Xavier desde cedo, mostrou interesse e talento para a escrita narrativa, exercida através de peças premiadas como O Segredo do Velho Mundo e Trivial Simples - ou roteiros como o que resultou em sua outra premiada colaboração com Ruy Guerra, o longa metragem A Queda. Sua sólida carreira de ator inicia-se em 1958 no Teatro de Arena com Eles Não Usam Black-tie.

O cinema veio no ano seguinte com Fronteiras do Inferno. Nelson Xavier vem atravessando e contribuindo com seu talento, em diversos momentos da história do cinema, protagonizando, trans-genericamente, personagens sintonizados com um universo marginal (Dois Perdidos Numa Noite Suja, Rainha Diaba), alegórico ( Os Deuses e os Mortos, Gordos e Magros), da literatura popular ( Dona Flor e seus dois Maridos, Gabriela), da comédia urbana ( Vai Trabalhar, Vagabundo), infantil ( O Cangaceiro Trapalhão).

Na década de 60, no Recife, quando  integrava o Movimento de Cultura Popular, organizou um Seminário de Dramaturgia, ensaiando e encenando em  Pernambuco a montagem de um texto seu sobre a resistência camponesa, intitulado Julgamento em Novo Sol. Até hoje Nelson é convidado a dar aulas de direção de atores em cinema na Escuela Internacional de Cine y TV, em Cuba.

 O reconhecimento desse  talento aconteceu diversas vezes em festivais de cinema no país. Em 1978, com A Queda, além do Urso de Prata no Festival de Berlim, Nelson Xavier recebe um Candango de melhor ator em Brasília - prêmio repetido cinco anos depois no mesmo festival com o filme O Mágico e o Delegado , de Fernando C. Campos. Mais recentemente em 1997, ele volta a ganhar um prêmio de melhor ator, desta vez em Gramado, com o filme O Testamento do Sr. Napumoceno, dirigido pelo cineasta português Francisco Manso.

Diretor:

Ator:
"... nós fazíamos teatro como se fôssemos salvar o mundo com ele."

Leia o depoimento dado ao SNT em 1975 sobre o

SEMINÁRIO DE DRAMATURGIA
DO TEATRO DE ARENA de 1958.