Meu caro amigo animador cultural ou melhor, gladiador teatral, MARIOZINHO;
 

Quando você me convidou para assistir a sua peça de teatro não imaginava que iria testemunhar uma das mais belas páginas do fazer teatral.
Comecei a ficar desconfiado quando cheguei à antiga sede do DOPS à Rua da Relação sem imaginar o que iria acontecer com o relato de LEMBRAR É RESISTIR.
Como participante fiquei atônito, pois estava diante de tristes acontecimentos que agora serviam para enriquecer o fazer teatral.
A narrativa dos fatos tão bem feita por Ivan Jaf, Analy Alvarez e Isaias Almada, faz-nos esquecer de que na verdade, se tratava de um texto e portanto da feitura de um espetáculo onde existia um autor. Foi tudo tão extremamente bem feito, que tive a sensação de não haver um autor, tamanha a naturalidade com que as situações se apresentavam. Da mesma forma não parecia que o espetáculo tivesse sido dirigido, quando o que estava sendo apresentado tinha por trás a excelente direção de NELSON XAVIER, que teve a sensibilidade e a habilidade necessárias para reproduzir, em sessenta minutos, fatos marcantes de uma época triste da história do Brasil.
Em alguns momentos me senti culpado por não ter tido a consciência das arbitrariedades cometidas naquela repartição opressora. E o pior é pensar que por mais real que tudo parecesse, não passa de um pálido reflexo da dor que realmente causou a tantas pessoas, a tantas famílias, a tantos seres humanos...
É, por tudo, uma reprodução com absoluta fieldade conforme declarações de algumas das vítimas que com uma disposição generosa remexeram em suas feridas, relatando fatos que talvez preferissem esquecer, para que tudo chegasse ao nosso conhecimento e sobretudo, para que não se permita, jamais, que fatos dessa natureza se repitam.
E hoje, graças a esta feliz encenação sinto que estou mais informado.
A todos os responsáveis por este trabalho, fico devendo este favor.
Belo trabalho do autor, do diretor, dos produtores, dos técnicos e dos atores que souberam ser verdadeiros intérpretes das vítimas dos excessos. Feliz idéia de utilizar o prédio da antiga prisão do DOPS como teatro que mais uma vez cumpre uma de suas finalidades que é a de informar e denunciar.
Ficamos todos devendo ao GRUPO VAMO NELSO! esta feliz iniciativa.

Sem mais considerações, queira receber um grande abraço do amigo agradecido e de Claudia Carvalho, ORLANDO MIRANDA 

 

O povo precisa lembrar e resistir
 

A peça de teatro Lembrar é Resistir, de Analy Álvarez e Isaias Almada, encenada nas dependências do antigo DOPS, primeiramente o paulista, e depois o do Rio de Janeiro, situado na fatídica Rua da Relação, veio mostrar a realidade dos prisioneiros políticos nos anos de chumbo, principalmente a partir do AI-5.
É impressionante para qualquer ser humano, mesmo que não tenha sofrido torturas, assistir à excelente apresentação do grupo dirigido por Nelson Xavier. A peça percorre as dependências do prédio desde a distribuição das filipetas de entrada, como se fosse uma delegacia política onde um policial trata brutalmente os espectadores, interrogando nome, endereço, telefone e ainda os obriga a "tocarem piano" numa almofada de tinta preta, simulando as identificações digitais em um interrogatório.
É reviver a história percorrer as dependências até as celas que contam as prisões de Luiz Carlos Prestes, Olga Benário, Maria Werneck, Nise da Silveira, Beatriz Bandeira Ryff e tantos outros, que passaram por aquele prédio de triste memória.
Mas não é fácil acompanhar a encenação. Com excelentes atores (Expedito Barreira, Mariozinho Telles, Maria Silvia, André Frazzi e outros), interpretando os sofrimentos decorrentes das brutalidades e dos interrogatórios, é preciso ser muito forte para assistir às cenas, principalmente porque são vividas em várias celas, numa penunmbra de 25 watts.
A emoção é tão forte que muitos, jovens e velhos, choram ao presenciar tanta brutalidade contra pessoas idealistas que lutavam pelo fim da ditadura militar, sonhando com um país mais livre e seu povo vivendo sem exploração.
É um espetáculo que deveria ser mostrado para todo o Brasil, a fim de que não se repitam jamais os horrores dos anos de chumbo que se seguiram ao golpe militar de 1964.
 
 
 

Ségio Caldieri - Jornalista
Rio de Janeiro, 8 de novembro de 2001
Recomendo com entusiasmo o epetáculo que colabora com grande competência no processo de aprendizagem da História do Brasil.
Levando o aluno a um mergulho ao mesmo tempo emocional e reflexivo às entranhas do regime militar instaurado em 1964.
A peça é da enorme valia como complemento ao trabalho didático realizado no espaço convencional da sala de aula.
Comovendo o espetáculo ensina, ensinando ele comove, levando ao jovem a história viva, onde o heroismo e a covardia se encontraram para gerar esse Brasil contraditório, injusto e apaixonante dos nossos dias.
Conhecimento a flor da pele, aprendizado dinâmico e a lição definitiva a respeito do que é educar: informar formando, refletindo, chorando, se indignando e, sobretudo, acreditando na educação como caminho para a dignidade humana. 
Tudo isso a peça sugere. 
Assistam e levem seus alunos!! 
Luiz Antonio Simas
Bacharel, Licenciando e Mestre em História - UFRJ.
Professor -  Colégio Pedro II

 
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