Paulo Oswaldo
| PAULO
OSWALDO - PINTOR Endereço Residencial: Rua Barata
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DA REALIDADE URBANA, ASPECTOS:
A presente amostragem visa captar o cotidiano de uma grande metrópole. As agruras da convivência do medo se mesclam a momentos de intensa euforia, numa ambivalência confusa. O poder de absorção de fatores diversos caracteriza um equilíbrio mutante e o antigo humor carioca parece ter sofrido radical metamorfose.
O processo plástico, ora elaborado, foge aos padrões ortodoxos de composição, aproximando-se do enquadramento fotográfico. Nota-se, claramente, a penetração do plano pelas diagonais forçadas, objetivando maior valoração do espaço, efeito semelhante obtido pela lente grande angular. Os cortes abruptos somam-se à teatralidade dos relevos. O fotograma resultante é estático ou mesmo uma "candid shot", sendo visível a obsessão pelo movimento sugerido. Cansativo seria abordar a totalidade do material utilizado, tal a sua diversificação, sendo o principal uma resina sintética estável e de alta resistência.
O teor ilustrativo, o uso de tonalidades quentes objetivam um impacto maior sobre o espectador, fugindo ao alienante gerado pelo consumismo, tão ao gosto de determinadas galerias.
Via de regra, voltado para o modismo europeu, o artista plástico brasileiro parece não estar consciente da diluição da sua obra ao não expressar as alegrias e sofrimentos de um povo, preferindo o pequeno circuito orbital manipulado das camadas de maior poder aquisitivo, bastante ligadas à neutralidade do artefato decorativo. Uma ideologia estética dominante satisfaz ao jogo de interesses do pequeno grupo responsável pelo inevitável tráfico de influências. Não é difícil descobrir diversos significados perante o imponderável, este velho hábito de forjar certas sutilezas parece agradar aos intelectuais de gabinete, sempre prontos a colaborar.
A realidade brasileira tornou-se um incômodo apêndice que deve ser extirpado, divorciando-se, conseqüentemente, o processo plástico do "humus" da terra, da nossa complexa fertilidade, dando lugar a um fenômeno singular: NÃO TEMOS UMA PINTURA DE ELITE, MAS UMA ELITE QUE PINTA, FECHADA EM SÍ PRÓPRIA.
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