Diderot
foi e ainda é muito contestado por suas idéias e trabalhos.
Se lhe
resta um mérito
indiscutível, talvez seja este: foi o primeiro a escrever um
ensaio relevante
sobre o trabalho do ator. O "Paradoxo do Comediante" já um
tanto superado,
ainda resiste como registro e provocação, como obra
precursora de
um debate que viria a ser central em nosso século. A seguir,
um pequeno trecho
do Paradoxo, obra construída em forma de diálogos:
"PRIMEIRO -
Um grande ator não é nem um piano-forte, nem uma harpa, nem
um
cravo, nem um
violino, nem um violoncelo, não existe um acorde que lhe seja
próprio;
mas ele toma o acorde e o tom que mais convêm à sua parte.
E sabe
executar todas.
Tenho em grande conta o talento de um grande ator: esse
homem é
raro, tão raro e talvez maior que o poeta.
Aquele que
na sociedade se propõe a tal, e tem o infeliz talento de agradar
a todos, não
é nada, não tem nada que lhe pertença, que o distinga,
que
entusiasme uns
e que canse os outros. Ele fala sempre, e sempre bem; é um
adulador profissional,
é um grande cortesão, é um grande ator.
SEGUNDO - Um grande
cortesão, acostumado desde que respira ao papel de um
fantoche maravilhoso,
toma toda a espécie de formas, segundo a vontade do
fio que está
entre as mãos do seu senhor.
PRIMEIRO - Um
grande ator é outro fantoche maravilhoso cujo fio é seguro
pelo poeta, e
a quem ele indica a cada verso qual a forma verdadeira que
deve tomar."
Denis Diderot
(1713-1784)
"Paradoxo do Comediante"
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Na próxima
reflexão:
Bertolt
Brecht
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