Lope de Vega, dramaturgo algo esquecido no Brasil, é um dos maiores mitos, 
senão o maior, da história do teatro espanhol. Cervantes, contemporâneo seu, 
chamou-o de "O monstro da natureza". Não sem motivo. Lope compôs, ao longo 
de sua obra, um imenso panorama da vida espanhola, trazendo à cena em peças 
como "Fuente Ovejuna", "O melhor juiz, o rei", "Peribañez" e "Uma certeza 
para a dúvida" histórias de reis, de outros nobres e da gente mais humilde 
da Espanha. Experimentou vários campos nas - pasmem - quase 2000 peças que 
assinou. O seu mais famoso escrito teórico, "Arte nuevo de hacer comedias en 
este tiempo" trata da sua postura em relação as regras clássicas. Sua 
posição ilumina muito da postura dramaturgica do grande momento do teatro 
espanhol, o chamado Século de Ouro. Segue um trecho:

"Quando vou escrever uma comédia,
Uso seis chaves para aferrolhar as regras.
De minha presença expulso Plauto e Terêncio,
Receoso de seus ânimos ofendidos...
Pois se afinal é o público que paga,
Por que não atender a seus pedidos?"


 



 
 
 
 
 

Félix Lope de Vega Carpio (1562-1635)
"Arte nova de fazer comédias neste tempo" (1609)

Na próxima reflexão:
Nelson Rodrigues

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