Grotowski, em nossos dias, tem dispensado apresentações. Selecionei um 
trecho de um de seus mais famosos textos, em que defende um teatro que se 
constitua única e exclusivamente através de seus elementos essenciais e 
ataque o teatro "sintético", ou em outras palavras, que reúne em si várias 
artes que podem ser auxiliares ao teatro:

"Este "teatro sintético" é o teatro contemporâneo, que chamamos de "Teatro 
Rico" - rico em defeitos.
O Teatro Rico baseia-se em uma cleptomania artística, tomando de outras 
disciplinas, construindo espetáculos híbridos, conglomerados sem espinha 
dorsal ou integridade, embora apresentados como trabalho artístico orgânico. 
Pela multiplicação dos elementos assimilados, o Teatro Rico tenta fugir do 
impasse em que o colocam o cinema e a televisão. Como o cinema e a TV são 
superiores nas funções mecânicas (montagem, mudanças instantâneas de lugar, 
etc), o Teatro Rico ripostou com um apelo - evidentemente compensatório - ao 
"teatro total". A integração de mecanismos emprestados (projeções 
cinematográficas, por exemplo) signfica equipamento técnico aperfeiçoado, 
permitindo grande mobilidade e dinamismo. E se o palco ou a platéia, ou 
ambos, fossem móveis, seria possível a perspectiva constantemente mutável. 
Tudo isto é uma tolice.
Não há dúvida de que quanto mais o teatro explora e usa as fontes mecânicas, 
mais permanece tecnicamente inferior ao cinema e à televisão. 
Conseqüentemente, proponho a pobreza no teatro."


Jerzy Grotowski
"Em busca de um teatro pobre"

Na próxima reflexão:
Tairov

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