Edward Gordon Craig, ator, encenador e cenógrafo inglês, foi uma das figuras 
mais interessantes e decisivas para a história do teatro ocidental do século 
XX. Foi um dos pilares do chamado simbolismo teatral. Na desfesa desta 
estética, assinou algumas montagens históricas, como "Hamlet", encenada em 
1912 no Teatro de Arte de Moscou, de Stanislavski. Depois da primeira guerra 
mundial, passou a ser muito mais um teórico que um homem da prática teatral, 
um teórico muito especial, que além de escrever sobre suas idéias, esboçava 
cenas e construía maquetes de cenários para peças que imaginava, de 
realização quase inimaginável, como "Drama para Loucos", uma peça de 365 
cenas para marionetes. A imagem da marionete e a conseqüência desta para 
Craig, a "super-marionete", ou o ator livre do ruído de emotividade que nada 
interessa ao trabalho da representação, é o tema do texto que segue, questão 
fundamental para a estética anti-naturalista do encenador inglês:

"Tudo leva a crer que a verdade em breve amanhecerá. Suprimi a árvore 
autêntica que haveis posto sobre a cena, suprimi o tom natural, o gesto 
natural e acabareis igualmente a suprimir o ator. É o que acontecerá um dia 
e gostaria de ver alguns diretores de teatro encarar essa idéia a partir 
deste momento. Suprimi o ator e retirareis a um realismo grosseiro os meios 
de florescer a cena. Não existirá mais nenhuma personagem viva para 
confundir a arte e a realidade em nosso espírito; nenhuma personagem viva em 
que as fraquezas e as comoções da carne sejam visíveis.
O ator desaparecerá e no seu  lugar veremos uma personagem inanimada - que 
se poderá chamar, se quereis,  a "Super-marionete" - até que tenha 
conquistado m nome mais glorioso."

 



 

Gordon Craig (1872-1966)
In: "Da arte do teatro" (1942).

Na próxima reflexão:
Yoshi Oida

 


Início