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paraibano Ariano Suassuna, autor de alguns dos mais conhecidos clássicos de nossa comediografia, como “O Auto da Compadecida” e “A Pena e a Lei”. O trecho a seguir foi copiado do prefácio que o dramaturgo escreveu para “O Santo e a Porca”: enfrentar o público? Será que a visão que o autor tem de sua obra não é a mais deformada de todas? Não sei, mas acredito que é muito difícil, sem traição a ela, explicar ou ordenar os múltiplos aspectos e sentidos que tem – ou pelo menos deve ter – uma peça de teatro. O fato é que a peça é um tumulto, e as opiniões que se formam em torno dele é outro; o que, de certa forma, nos autoriza a procurar, na medida do possível, um sentido para aquilo que talvez nenhum sentido claro possua. Com isso, não quero dizer que, ao escrever a peça, tenha conseguido fazer tudo o que pretendi ao imagina-la. E quem o consegue? A obra que se apresenta ao público, qualquer que seja ela, é o resultado de duas derrotas: a primeira, porque o artista jamais conseguirá se equiparar à mobilidade, à vida, à riqueza, à continua invenção da realidade; a segunda, porque depois de inventar sua obra – que não é senão uma tentativa de resposta domada, clarificada e ordenada ao que o mundo contém de feroz, de disperso e selvagem – nunca consegue ele imprimir na obra tudo o que desejou e entreviu no momento da criação.
Na próxima
reflexão:
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