Apresento um trecho de um texto de um dos primeiros teólogos do 
cristianismo, um cartaginês que viveu na época do Império Romano. Na 
passagem, sobre os teatros grego e romano, nota-se claramente que ele não 
gostava muito de teatro:

"O teatro não é apenas consagrado à deusa do amor, mas também ao deus do 
vinho. Porque estas duas testemunhas da libertinagem e da embriaguez estão 
estreitamente unidas que parecem ter conspirado juntas contra a virtude: 
deste modo, o palácio de Vênus é também o paço de Baco. Com efeito, havia 
antigamente alguns jogos do teatro que eram propriamente chamados de 
liberais: não apenas porque eram consagrados a Baco, como o são os 
dionisíacos dos gregos; mas ainda porque Baco era o seu instituidor. Além 
disso, estas duas divindades execráveis não presidem menos às ações do 
teatro que ao próprio teatro; seja que se tenha em consideração a infâmia 
dos gestos, ou outros movimentos dissolutos dos corpos. É o que se nota 
particularmente nos atores da comédia. Neste ofício miserável, eles 
vangloriam-se em imolar de qualquer maneira a sua languidez a Vênus e a 
Baco; um deles por libertinagens horríveis, os outros com representações 
lascivas e brutais. No que respeita aos versos, a música, as flautas, as 
violas, tudo é mostra de Apolos, das Musas, das Minervas, dos Mercúrios. 
Discípulos de Jesus Cristo, detestareis os objetos cujos autores vos devem 
parecer tão detestáveis."


 



 
 
 

Tertuliano. (c. 155-c.255)
"Sobre os Espetáculos"

Na próxima reflexão:
Friedrich Nietzsche

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