DIA MUNDIAL DO TEATRO
27 de Março de 2006
Mensagem de Víctor Hugo RASCON BANDA

Dramaturgo, México (58 anos)
UM RAIO DE ESPERANÇA
Todos os dias devem ser dias mundiais do Teatro, porque em todos estes 20 séculos, tem estado sempre acesa a chama do Teatro em algum canto do mundo.
Ao Teatro sempre se decretou a morte, sobretudo com o aparecimento do Cinema, da Televisão e agora dos meios digitais.
A tecnologia invadiu os cenários e esmagou-se a dimensão humana, projectou-se um teatro plástico, próximo da pintura em movimento que deslocou a palavra.
Houve obras sem palavras, ou sem luzes, ou sem actores, só manequins e bonecos numa instalação com múltiplos jogos de luzes.
A tecnologia tentou converter o teatro em fogo de artifício ou em espectáculo de feira.
Também assistimos ao regresso do actor frente ao espectador.
Hoje assistimos ao regresso da palavra sobreposta ao cenário.
O teatro renunciou à comunicação massiva e reconheceu os seus próprios limites que lhe impõe a presença de dois seres frente a frente que mostram sentimentos, emoções, sonhos e esperanças.
A arte cénica está desejosa de contar histórias para debater ideias.
O Teatro comove, ilumina, incomoda, perturba, exalta, revela, provoca, transgride. É uma conversa partilhada com a sociedade. O Teatro é a primeira das artes que se enfrenta com o nada, as sombras e o silêncio, para que surjam a palavra, o movimento, as luzes e a vida.
O Teatro é um feito vivo que se consome a si mesmo enquanto se produz, mas sempre renasce das cinzas. É uma comunicação mágica em que cada pessoa dá e recebe algo que a transforma.
O Teatro reflecte a angústia existencial do homem e desvenda a condição humana. Através do Teatro, não falam os seus criadores se não falarem da sociedade do seu tempo.
O Teatro tem inimigos visíveis, a ausência de educação artística na infância, que impede descobri-lo e gozá-lo; a pobreza que invade o mundo, afastando os espectadores das poltronas e a indiferença e o desprezo dos governos que devem promovê-lo.
No Teatro falarão os deuses e os homens, no entanto agora o homem fala a outros homens. Por isso o Teatro tem de ser maior e melhor que a própria vida. O Teatro é um acto de fé no valor de uma palavra sensata num mundo demente. É um acto de fé nos seres humanos que têm a responsabilidade do seu destino.
Há que viver o Teatro para entender o que se passa à nossa volta, para transmitir a dor que está no ar, mas também para vislumbrar um raio de esperança no caos e pesadelo quotidiano.
Vivam os oficiantes do rito teatral! Viva o Teatro!
Tradução
Margarida Saraiva - Escola Superior de Teatro e Cinema
|
|