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     Vidal

    Na pintura de Vidal o que me encanta é a sua fidelidade ao seu universo vivido: o flagrante realista dos seus companheiros e companheiras, nos bons (e raros e sofridos) instantes de folgas (que para eles não há lazer, palavra tão prestigiosa agora para uma certa sociologia, uma certa administração e uma certíssima ideologia da criação de ilusões e venda de seus produtos de consumo aliciado).

    Mas o trabalho, a carência e a solidariedade ali estão, na esperança de serem esperança, alegria e abundância: dia virá.

    Folga e labuta, eis os temas que voltam, em ambientes internos e externos, de quase geométrica perspectiva aérea, de tão despojada descrição, em que não há irrelevâncias nem inoportunidades: cada pormenor é um pormaior para a configuração de um mundo imediato, tão presente no cotidiano, que foge e na memória, que esquece.

    Há o colorista, ademais do figurativista.E há um sonho concreto, feito de ímpetos de aqui e agora, igualitário e confraternalmente.

    E, realmente, por que prorrogar indefinidamente a humanidade da humanidade -perguntam as telas de Vidal (embora ele mesmo evite perguntar, como o coração do Poeta, que não pergunta nada).

    Acompanho Vidal há muitos anos e o vejo crescer na sua visão autêntica, que fixa e propõe criaturas humanas e relações humanas mais humanas. Eis um poeta do ver.

    Antonio Houaiss

    Rio de Janeiro, 5 de junho de 1982

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