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  •  Poesia Barroca

    CLÁUDIO MANOEL DA COSTA

    SONETOS

    VIII

    Este é o rio, a montanha é esta,
    Estes os troncos, estes os rochedos;
    São estes inda os mesmos arvoredos;
    Esta é a mesma rústica floresta.

    Tudo cheio de horror se manifesta,
    Rio, montanha, troncos, e penedos;
    Que de amor nos suavíssimos enredos
    Foi cena alegre, e urna é já funesta.

    Oh quão lembrado estou de haver subido
    Aquele monte, e as vezes, que baixando
    Deixei do pranto o vale umedecido!

    Tudo me está a memória retratando;
    Que da mesma saudade o infame ruído
    Vem as mortas espécies despertando.

    -------------------

    XXXI

    Estes os olhos são da minha amada:
    Que belos, que gentis, e que formosos!
    Não são para os mortais tão preciosos
    Os doces frutos da estação dourada.

    Por eles a alegria derramada,
    Tornam-se os campos de prazer gostosos;
    Em zéfiros suaves, e mimosos
    Toda esta região se vê banhada;

    Vinde, olhos belos, vinde; e enfim trazendo
    Do rosto de meu bem as prendas belas,
    Dai alívios ao mal, que estou gemendo:

    Mas ah delírio meu, que me atropelas!
    Os olhos, que eu cuidei, que estava vendo,
    Eram, quem crera tal!, duas estrelas.

    ------------------------------------

    LXXX

    Quando cheios de gosto, e de alegria
    Estes campos diviso florescentes,
    Então me vêm as lágrimas ardentes
    Com mais ânsia, mais dor, mais agonia.

    Aquele mesmo objeto, que desvia
    Do humano peito as mágoas inclementes,
    Esse mesmo em imagens diferentes
    Toda a minha tristeza desafia.

    Se das flores a bela contextura
    Esmalta o campo na melhor fragrância,
    Para dar uma idéia da ventura;

    Como, ó Céus, para os ver terei constância,
    Se cada flor me lembra a formosura
    Da bela causadora de minha ânsia?

    ------------------------------------

    VII

    Onde estou? Este sítio desconheço:
    Quem fez tão diferente aquele prado?
    Tudo outra natureza tem tomado;
    E em contemplá-lo tímido esmoreço.

    Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
    De estar a ela um dia reclinado:
    Ali em vale um monte está mudado:
    Quanto pode dos anos o progresso!

    Árvores aqui vi tão florescentes,
    Que faziam perpétua a primavera:
    Nem troncos vejo agora decadentes.

    Eu me engano: a região esta não era:
    Mas que venho a estranhar, se estão presentes
    Meus males, com que tudo degenera!

    (c) www.artes.com