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  •  CARNAVAL

    REFLEXÕES SOBRE O CARNAVAL

    Sobre o fenômeno manifesta-se a prof. Monique Augras da PUC: "o sagrado na Escola de Samba não se manifesta numa ordem dentro da desordem do carnaval? Neste caso, a estética do desfile da Escola de Samba não se identificaria com esta ordem? Respondo o seguinte: João do Rio, em uma de suas reportagens descreve um cordão, na rua do Ouvidor, que lhe dá uma tremenda impressão de desordem, quando repentinamente ele descobre no meio daquele caos, uma hierarquia: cordões que vieram lá do nordeste, famílias baianas que vieram para cá no fim do século passado e que se estabeleceram na saúde, no morro da Conceição, toda a zona portuária trouxeram o Rancho o Samba de Roda. De repente ele descobre o paradoxal daquilo e inventa um diálogo com um amigo a quem diz: "há ordem na desordem?". E responde "- Um lema nacional!". Isso foi escrito em 1908 e mostra um retrato disso que estou interpretando.

    Para Victor Turner: Estrutura - São aspectos de permanência da autoridade de posição definida, da não espontaneidade social e ideológica, das distinções de status e riquezas, secularidade e da obediência, da hierarquia e do conhecimento técnico. Comunidade (ou comunitas como denomina Turner): onde se situam as relações e os elementos inversos: o pessoal em oposição ao impessoal, o intuitivo em contraste com o técnico, a ausência de propriedade e de insígnia em contraste à posse e ao status. Estrutura e comunitas estão em oposição da mesma forma que o malandro e o caxias. O 7 de setembro é uma festa das estruturas e carnaval das comunitas. Ritos de passagem - São mecanismos invariantes, universalmente reconhecidos como essenciais, em certos momentos da vida social..

    Justificando o posicionamento de NIETZSCHE, Para NIETZSCHE a arte é a única justificativa possível para o sofrimento humano, por isso combate a moral cristã que lhe parece fruto do ressentimento de frustados, José Guilherme Merquior, em "Saudades do Carnaval" diz: "é fácil calcular a intensidade dos inconvenientes dessa atitude anti-natural quando a civilização racionalizada da Idade Moderna suprimiu justamente os pulmões carnavalescos da cultura. O Cristianismo da sociedade industrial, a religiosidade do tempo de NIETZSCHE não só havia negado e sufocado toda válvula orgiástica - toda composição sistemática com erros e carisma - como virara franca ideologia da sublimação ressurgida das massas aburguesadas , era nesse contexto, que a moral da renúncia significa repressividade absoluta, e repressividade doentia, "indecorosa" para usar a expressão do anti-cristo. O ascetismo vitoriano, a serviço da massificação repressiva, da "redução à mediocridade", de todas as dimensões morais do homem eis o que levou NIETZSCHE a um desmascaramento indignado do cristianismo".

    Peter Burke, em Cultura Popular na Idade Moderna escreve: "Claude Levi - Strauss nos ensinou a procurar pares de opostos ao interpretarmos os mitos, rituais e outras formas culturais. No caso do carnaval havia duas oposições básicas que fornecem o contexto para interpretar muitos aspectos nos comportamentos, oposições essas de que os conterrâneos tinham clara consciência A primeira delas é entre o Carnaval e a quaresma entre o que os franceses chamavam de "jours gras" e "jours maigres", geralmente personificados com um gordo e uma magra. Segundo a Igreja era uma época de jejum e abstinência não só de carne mas de ovos, sexo, ir ao teatro e outros entretenimentos. Portanto era natural apresentar a quaresma como uma figura emaciada (a própria palavra Quaresma - Lent - significa "tempo de privação" - leam time), desmancha prazeres associada aos baixas da dieta de Quaresma. O que faltava na Quaresma era naturalmente o que abundava no carnaval, de modo que a figura do "Carnaval" era representada como um comilão e beberrão jovem, alegre, gordo sensual amo um Gargântua ou Falstaff Shakespeareano."

    A outra oposição, segundo Burke é que o carnaval "era uma representação do mundo virada de cabeça para baixo". E conclui: "O que é claro é que o carnaval era poliscênico, significando coisas diferentes para diferentes pessoas. Os sentidos cristãos foram sobrepostos ao pagãos, sem obliterá-los e a resultante precisa ser lida como um palimpsexto. Os rituais transmitem simultaneamente mensagens sobre comida e sexo, religião e política. A bexiga de um bobo, por exemplo tem significados diversos, por ser uma bexiga associada aos órgãos sexuais, por vir de um porco, o animal do carnaval por excelência e por ter sido trazida por um bobo, cuja "fertilidade" é simbolizado por ser vazia."

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