Campinas
- 1992
Para cada um de nós, integrantes do GRUPO TÁ NA RUA, o teatro profissional não parecia oferecer reais condições para a discussão política, social e cultural que julgávamos imprescindível nos idos da década de 70, quando o grupo teve sua primeira formação.
A insatisfação pode facilmente transformar-se em inação ou aceitação de velhos caminhos já percorridos. Partimos, então, para o desenvolvimento de um trabalho que não evitasse; com considerações de ordem empresarial e comercial ; a necessária investigação de uma linguagem que viesse a resgatar um ator, uma expressão submersa pela cultura burguesa, de modelo importado e alcance limitado à classe dominante e sua periferia.
Submergirmos para tentar descobrir o que havia além do verniz que faz brilhar nossas Broadways e Vênus tupiniquins. Fomos em busca de nossa grande rua; nossas ruas; descobrir o que havia entre as malhas do tecido vivo de nossas cidades. E encontramos o povo ávido de participação. A ele devemos o que aprendemos nesses anos de andanças; trouxas às costas, bandeiras ao vento.
Muitos anos depois
daqueles primeiros passos, temos hoje um trabalho que utiliza o teatro
como instrumento de desenvolvimento do ser humano, de conscientização
de sua realidade política, social e cultural. O teatro como uma
pedagogia de ação transformadora: o espectador transformando-se
em ator, tomando em suas mãos a configuração e discussão
de seu destino. O teatro como uma pedagogia de ação transformadora:
o espectador transformando-se em ator, tomando em suas mãos a configuração
e discussão de seu destino.
Um teatro popular,
com uma linguagem narrativa, dialética, que constrói sua
dramaturgia no próprio desenvolvimento da ação/reflexão.
Umas ferramenta eficaz, que proporciona aos setores populares a capacidade
de apropriar-se de sua auto-expressão, em busca de sua própria
identidade, desvinculados da cultura dominante.
Descobrimos um ator
que não é diferente do povo a quem ele se dirige e
com quem quer exercitar sua arte. Um ator aberto, lúcido, generoso
no coração e capaz de acreditar na força transformadora
do seu ofício. Um ator que fertiliza e se deixa fertilizar
pelas centenas de encontros em praças, ruas e salas, com pessoas
tão ou mais inquietas que ele próprio. Um ator que é
impulsionado pela força e energia de sua vocação para
o prazer, a alegria, a felicidade.